Esperando pelo nosso Messias judeu | Ensinando de Sião

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Esperando pelo nosso Messias judeu

Está na moda hoje redescobrir os símbolos bíblicos, que na maioria deles são atualmente usados pelo povo judeu e pelo Estado de Israel, como por exemplo, a Menorá, a mezuzá, o shofar, talit, o kipá, a estrela de Davi e tantos outros. Não estou aqui querendo defender o uso indiscriminado destes símbolos fora da tradição ou do contexto bíblico. Nota-se que a igreja está querendo de uma forma ou de outra se aproximar de Israel. Indubitavelmente, Israel continua sendo o “Relógio” de Deus. Muitos questionam se o Israel físico é ainda o Israel de Deus. Eu respondo, sim, ele ainda o é, por mais longe que ele esteja de Deus. A aliança que Deus celebrou com Israel e seu povo foi um contrato perpétuo e durará para sempre até a consumação dos séculos. Tanto em Jeremias 31:35-37 como em Romanos 11:1-2, vemos claramente o eterno e divino propósito para com os da casa de Israel. Quando houver a plenitude dos gentios, Israel será salvo pela crença no Messias Yeshua HaMashiach (Rm11:25-26 e Zc 12:10). Segundo meu entendimento, plenitude aqui se refere muito mais a maturidade e qualidade da fé do que simplesmente quantidade, ou seja, número determinado de pessoas que se converterão a Yeshua (Jesus). Nosso noivo, o Messias, está formando para si uma “noiva” madura, limpa, pura e nova, pois é sem mácula e sem ruga ( Ef 5:27). Ele, sendo um judeu, deseja que sua “noiva” coloque-se no mesmo jugo Dele, ou seja, mesmo não sendo judia de sangue, ela o é na circuncisão do coração (Rm2:29). Por isso, é mais do que natural que a igreja descubra este noivo judeu. Se Ele fosse francês, por exemplo, seria muito natural que a igreja procurasse saber tudo sobre os costumes franceses, as tradições, a língua francesa, as comidas típicas, etc. não é mesmo? Mas, por que ser contra quando a igreja procura se identificar com um noivo judeu? Não seria um resto do antigo anti-semitismo cristão ainda existente nos dias de hoje? Não seria ainda um resquício da memória da inquisição ou mesmo do escrupuloso holocausto? Por que existem pastores vão à TV pregar contra aqueles cristãos que querem se aproximar e se identificar com suas raízes? Será que o cristianismo nasceu na Coréa ou no Canadá ou nos Estados Unidos ou mesmo na Colômbia? A fé cristã genuína é ainda uma fé judaica baseada nos livros judaicos denominados de Escrituras Sagradas, ou seja, no Antigo e Novo Testamento. E por um acaso Jesus na Nova Aliança anulou a Lei judaica do Antigo Testamento? De maneira nenhuma, responde o próprio Jesus ( Mt 5:17). Se Yeshua na sua vinda gloriosa volta desposado com Sua Igreja ( judeus e gentios crentes) para Jerusalém-Israel para de lá reinar por mil anos, por que tanta aversão as coisas de Israel? Por que ser contrário a uma simples bandeira de Israel afixada juntamente com a do Brasil existentes nos púlpitos de muitas igrejas? Por acaso, segundo a Bíblia, não devemos orar por Jerusalém e por Israel para que eles sejam salvos? Por que ignorar se a Bíblia confirma a salvação de Israel e do povo judeu? Por acaso este não seria um dos importantes papéis da Igreja? Seria muito mais proveitoso e justo que todos colaboremos e trabalhemos a favor da conversão dos judeus do que simplesmente ficar pagando caros programas na TV para desviar a Igreja de seus próprios e divinos propósitos (Rm 11:30-32). Por acaso, a Bíblia prediz a salvação de todo o Brasil, ou da Inglaterra ou da Alemanha? Não, especificamente, não, embora que Deus deseja que todas as nações e povos sejam alcançados e salvos. Ridículos argumentos são usados por alguns líderes cristãos para afastar a Igreja de Israel. Os árabes e palestinos crentes em nossas congregações judaico-messiânicas em Israel amam os judeus e oram pela salvação do Estado judeu também. E, nós, também oramos todos os dias pela salvação do povo árabe, sobretudo, a favor do povo palestino, pois, quanto à salvação não há distinção entre judeus e gentios ( Rm10:12). Uma igreja vestida de suas “túnicas” greco-romanas, pensando e agindo, sobretudo, fora do contexto judaico da palavra, não poderá causar emulação a Israel e nem tão pouco aos judeus espalhados pelo mundo que precisam ser alcançados para que o Messias volte.

(Rm 11:14-15). Oremos para que sejamos mais tolerantes e que haja mais amor fraternal entre aqueles que se dizem membros do Corpo de Cristo!

Mas, o que afinal, judaizar?

A igreja gentílica de Jesus, chamada na generalidade de cristã, ainda defende uma atitude muitas vezes cega e injusta quanto à sua própria origem judaica. O conceito de judaizar e rotular tudo quanto se refere a Israel ainda deixa muito a desejar. Segundo as Escrituras (Atos 15:1, Gal 2:14, etc), judaizar é forçar um gentio a circuncidar-se, por exemplo, e aceitar a Lei de Moisés visando salvação, quando esta é só por fé em Yeshua. Neste ponto, nós judeus-messiânicos, somos muito zelosos (At 21:20), pois sabemos, como já mencionado acima, que não há diferenças entre judeus e gentios quanto à salvação, pois todos, indistintamente, através de Yeshua, somos membros do mesmo corpo e da família de Deus (Rm10:12; Ef 2:14-19 e 1 Co 12:27). O que os cristãos, normalmente não entendem, é que ao mesmo tempo em que não há diferenças entre judeus e gentios quanto à salvação, há diferenças quanto ao indivíduo ser judeu e pertencer à nação de Israel. Pois, inúmeras profecias são específicas para o povo judeu e a nação de Israel. Profeticamente, só eles poderão cumprir tais profecias até que Yeshua volte e reine aqui nesta terra com Seus santos eleitos. Por isso, a Igreja deve entender que Deus não rejeitou o Seu povo escolhido (Rm 11:1; Jr 31:35). Além do mais, Deus tem um chamado irrevogável para este povo e para esta nação (Rm 11:28-29). Por exemplo, na Bíblia há mandamentos, estatutos e ordenanças dados por Deus para a humanidade como um todo, e há também leis aplicadas somente para a casa de Israel, os judeus, quer sejam messiânicos ou não.

Um bom exemplo, são as leis do decálogo, que se aplicam à humanidade. Um indivíduo debaixo da graça de Yeshua, não deve jamais pensar em furtar, matar, adulterar, desonrar pai e mãe, profanar o dia sagrado determinado para o descanso, etc. Por outro lado, Deus quer preservar Seu povo escolhido e, por isso, Ele próprio o caracteriza, separando-o dos demais povos através de mandamentos, estatutos e ordenanças, específicas e perpétuas. Como já enfatizamos, um judeu-messiânico justificado pelo sangue de Yeshua, deve continuar levando sua vida como um judeu zeloso a estas leis. Ou seja, seu estilo de vida precisa ser judaico e não de um gentio crente (At 21:20; 24:14; 25:8; 28:17, etc.). Não quero dizer em hipótese nenhuma que um judeu crente é mais importante do que um gentio crente. De maneira nenhuma! Deus não faz acepção de pessoas. O que os crentes gentios não entendem é que um judeu quando aceita Yeshua como seu Senhor e Salvador, ele não precisa deixar de ser judeu. O judeu secular também não entende isto, pois ele pensa ser impossível ser judeu e se “converter” a Yeshua (isto, por culpa dos cristãos que sempre obrigaram os judeus a renunciar sua fé judaica para se tornar um “cristão”, seguidor de Cristo). Devemos ter em mente que há uma tremenda diferença entre um judeu e um muçulmano, um budista, um confucionista, etc. Pois o judeu, já crê no Deus Único Verdadeiro, crê na Torá e nos outros livros do AT, procuram seguir a santa Palavra de Deus. O que precisa, então, acontecer é que este judeu praticante reconheça Yeshua como seu Messias de Israel e viva segundo esta fé. Mas, ele, em hipótese nenhuma, deixa de ser judeu por crer em Yeshua, assim como, um gentio crente não deixa de ser gentio após sua conversão.

Exemplo disto se vê claramente numa congregação judaico-messiânica. Lá vamos encontrar judeus crentes vivendo como judeus e gentios, também crentes, vivendo como gentios. O que precisa ficar claro para alguns pastores e líderes, principalmente, é que as Escrituras exigem que um judeu aceite Yeshua e viva como judeu zeloso para com as leis do AT que não foram revogadas por Yeshua. Se um judeu viver como gentio ele acabará perdendo sua própria identidade, não cumprindo o chamado irrevogável de Deus que o quer como judeu. De outra forma, quem cumpririam as profecias que ainda faltam a se cumprir para que Yeshua retorne? Por isso, Israel continua sendo o “relógio” de Deus quanto ao cumprimento profético para o retorno do Messias a este mundo.

O gentio crente deve entender que ele não tem a obrigação de guardar a lei, tendo-a como um manual de doutrina. Não! Mas, o gentio crente precisa tomar consciência que ele em Cristo foi enxertado na Oliveira que é o Israel de Deus e, portanto, ele pode e deve participar da mesma seiva (bênçãos e promessas da Casa de Israel). Por isso, um gentio crente pode praticar e se beneficiar da lei judaica do dízimo, das festas bíblicas, de estudar a Torá aos sábados, observar as leis alimentares, além de aprender na Torá como melhor trabalhar, preservar seu patrimônio e ser próspero, manter sua família em harmonia, gozar de boa sua saúde, etc. Será que Yeshua anulou tudo isto na cruz? Claro que não! A graça e a lei se completam. Será que um gentio se beneficiando das promessas da lei estaria judaizando? Judaizar, meu prezado leitor, não é aquilo que alguns pastores dizem que é judaizar, pois a maioria deles se encontra fora de suas raízes judaicas da fé, desconectado do Israel de Deus e, às vezes, alheios ao papel da Igreja que lideram quanto ao povo judeu e o Israel profético.

Os luteranos quando criaram suas normas internas estavam querendo “luteranizar” a igreja? Ou os anglicanos também quando estabeleceram suas diretrizes estariam querendo “anglicanizar” também a Igreja? Idem, os americanos de “yankizar” a Igreja, pois destes saíram várias boas e más doutrinas, não é mesmo? O que tenho visto, salvo raras exceções, é muito modismo evangélico estranho à sã palavra de Deus. Será que isto que temos visto por aí tem contribuído a favor da qualidade e maturidade espiritual de seus membros? Agora, quando os judeus-messiânicos desejam voltar às suas raízes, desinfetando-se dos conceitos, tradições e influências de um mundo pagão, ou quando querem voltar ao contexto judaico das Escrituras ou explorar as riquezas da língua bíblica hebraica, ou do pensamento e cultura do povo judeu preservados ao longo da história, estaríamos eles judaizando a Igreja? São cegos e injustos aqueles que assim agem, julgam, escrevem e dizem. A igreja de Jesus deveria voltar para trás e se arrepender pelo que tem feito contra o povo judeu e a nação de Israel e não continuar seguindo em frente no erro, enfatizando conceitos não bíblicos que somente trarão ainda mais danos para seus fiéis. Por que não voltarmos todos juntos aos princípios bíblicos e judaicos promulgados e vividos pelos apóstolos no primeiro século? Por que há entre pastores tanta resistência em conhecer estes princípios vitais para a Igreja antes da influência e domínio de Roma? Como vivia a Igreja de Jesus antes dela ter sua sede em Roma? O que ela fazia, o que ela pregava ?

A etapa de se reformar a Igreja já passou, na minha opinião. Agora é hora de restaurar, ou seja, voltar às origens, ao modelo original criado pelos profetas, por Yeshua e pelos apóstolos. Oremos para que haja membros sérios e autênticos na busca pela verdade, qualidade e maturidade da fé. Que Deus levante pessoas que possam investir tempo, jejum e muita oração nesta obra de Restauração da Igreja, trazendo-a de volta aos princípios bíblicos e judaicos do primeiro século, com certeza este movimento será um “divisor de águas” e ao mesmo tempo um elo para a unidade do Corpo, auxiliando na preparação, edificação, preservação daqueles que são efetivamente membros individualmente do Corpo do Messias e que constituem a “Noiva” que está sendo lavada e ataviada para o seu único noivo: seu Messias judeu, Yeshua Há Mashiach!

Autor:

Líder e fundador do Ministério Ensinando de Sião-Brasil e da Congregação Judaico-Messiânica Har Tzion - Belo Horizonte - MG. www.ensinandodesiao.org.br – www.tvsiao.com – www.ccjm.org.br

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