O grande equívoco da greve de fome | Ensinando de Sião

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O grande equívoco da greve de fome

Na época da minha adolescência era comum em nosso país se fazer greve de fome contra a terrível ditadura na qual vivíamos. Era uma maneira fatídica de se protestar contra a falta de liberdade e de expressão. Era também uma maneira drástica dos grevistas dizerem que era preferível a morte do que viver sem direito de expressão e liberdade, sem a sonhada e um tanto utópica democracia. Era tudo ou nada para mudar a política do nosso país. Na ditadura não havia diálogo ou qualquer tipo de negociação. Os princípios democráticos haviam sido enterrados juntamente com o direito e conquista de um povo. Os protagonistas da democracia davam, então, sua própria vida, tentando chamar atenção para o fato. Eu mesmo acreditava que aquilo que faziam estava correto o sob o prisma do meu pequeno mundo em que vivia.

Mas, hoje, pessoas que embora consideradas intelectuais, líderes e gestores das causas sociais, continuam pensando nesse “pequeno mundo” da greve de fome.

A ditadura acabou, embora continua ainda viva na cabeça de muitos. Aliás, em tempo, é bom que se diga: – a ditadura militar acabou, mas outros tipos ainda permanecem! Seja como for, hoje pelo menos podemos nos valer do diálogo com o governo e demais autoridades, unirmos esforços através de associações, autarquias, sindicatos, Ongs, etc. que outrora eram proibidos. A situação mudou!

Se por um lado, a greve pode ser reconhecida como um direito legal, por outro, deixar de comer é um suicídio a curto prazo. Fazer greve de fome para mim é uma forma de blefe na maioria das vezes para se chamar atenção sobre si. E, se de fato, alguém determinou a faze-la e pagar o preço com a própria morte, vejo isto não como um ato heróico, mas sim, como  uma maldição para se suicidar com ela.

Mesmo valendo-se do livre arbítrio de cada um, a vida pertence a D´us e somente Ele pode tira-la. A Bíblia nos ensina que passar fome é maldição…”Consumidos serão pela fome, devorados de raios e de amarga destruição...”(Dt32:24). Salomão vai mais longe quando diz que o ocioso vem a padecer de fome (Pv19:15). Também diz que o Senhor não deixa o justo ter fome ( Pv10:3). Assim, estabelecer para si próprio o passar-fome desejando a morte, só posso ver como algo que sai da justiça de D’us para adentrar em sua própria maldição.

No livro de Jó encontramos que se por um acaso ou por uma circunstância não desejada passarmos fome, o Senhor nos livrará da morte (Jó 5:20). Portanto, conforme as Escrituras, passar fome é maldição, é agir contra a vontade divina, pois é algo contrário a natureza. Além disso, é uma maneira de brincar com a vida, coagindo e envolvendo outras pessoas no caso. Para mim a greve de fome não é legal e não se traduz em ato de bravura, mas uma forma de manipulação direcionada quer por interesse próprio ou mesmo que seja por interesses do bem comum. Tal atitude não justifica e nem santifica o suicídio lento e cruel consigo mesmo.

Também não podemos confundir o jejum bíblico com greve de fome. São coisas totalmente diferentes. O próprio jejum, período de abstinência de alimentos sólidos e ou líquidos por um determinado tempo, apresenta sempre um motivo temporário.

Vários são os propósitos do jejum, como por exemplo, buscar o direcionamento de D´us, ou mesmo estar com D´us em oração e meditação. Quando se quer interceder por uma causa justa e necessária; quando se quer vencer as tentações e as forças malignas; quando quer humilhar-se perante D´us; quando se quer buscar cura e libertação e tantas outras razões que a Bíblia nos ensina. Mas, jamais D´us aprovou ou nos deu exemplo para se fazer greve de fome e suas conseqüências. O próprio Yeshua, Jesus, nos deu sábios exemplos de jejum e oração, vencendo dificuldades e tribulações.

Creio que seremos eficazes e mais bem sucedidos quando jejuamos por causas justas ao invés de optar por uma greve de fome. Creio que D´us nos atenderá como relatado por diversas vezes na própria Bíblia. Eu creio também que através do jejum e de orações alcançamos a D´us na sua infinita sabedoria e poder que moverá por nossa causa. Somente Ele pode tirar, estabelecer, transpor rios e oceanos, os céus e mesmo tudo que há na terra. Somente Ele estabelece e deixa estabelecer autoridades e governantes.

Portanto, vamos instruir nossos filhos na vontade de D´us, trabalhando para construir uma sociedade menos dogmática e passiva, mas mais ativa e melhor esclarecida.

Afinal, eu creio que D’us não deseja mártires, mas de homens fortes e ávidos que lutarão ativamente até a morte para construir um mundo mais justo, desejoso em conhecer a Verdade e o vindouro Reino de D’us.

Autor:

Líder e fundador do Ministério Ensinando de Sião-Brasil e da Congregação Judaico-Messiânica Har Tzion - Belo Horizonte - MG. www.ensinandodesiao.org.br – www.tvsiao.com – www.ccjm.org.br

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