Quando a igreja se apaixonará pelo seu noivo judeu? | Ensinando de Sião

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Quando a igreja se apaixonará pelo seu noivo judeu?

Muitas vezes me pergunto: Deve Jesus se atualizar e se renovar para alcançar sua “noiva” moderna do século XXI ou a Igreja moderna é que precisa retroceder 2000 anos para alcançar e reconquistar um noivo judeu?

Quais foram as condições deste noivado? Em que contexto e princípios? O noivo deu “um tempo”ou Ele continua a cada dia preparando “sua noiva” para a celebração das Grandes Bodas? Será que esta noiva continua fiel aos princípios promulgados e vividos pelos primeiros membros do Corpo de Cristo do primeiro seculo?

Ef. 5:25-27 – “ Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou sua igreja e a sim mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito”.

Yeshua nunca cessou de trabalhar na preparação de sua noiva. Como bom noivo, Ele tem cuidado de sua noiva nos mínimos aspectos. Ele quer fazer com que ela seja semelhante a Ele em tudo. Apesar de ter passado quase 2000 anos de noivado Ele deseja uma igreja nova, santa, pura, lavada pela água da Palavra de Seu Pai. Ele quer uma Igreja sem rugas, por isso, podemos concluir que ela é nova. E o que fazer com as antigas denominações que já existem há 17 séculos, 4 séculos, 2 séculos ou até mesmo aquelas com menos de um século ou aquelas que ontem foram abertas propondo uma nova visão, segundo seus fundadores? Cada um deseja que sua Igreja seja a mais certa e aquela que será arrebatada por Cristo. Mas, como saber qual Igreja pertence mesmo ao único Corpo de Cristo? Creio que só há uma reposta para descobrirmos a igreja verdadeira, pura e sem defeito que Yeshua virá buscar em breve nas nuvens…

Mas, antes de ressaltar algumas características desta divina “noiva”, vamos questionar algo como:

– Jesus sendo um Judeu zeloso da Lei, guardando os princípios da Torá, os estatutos e as ordenanças que foram dadas ao seu povo de Israel em aliança eterna no Monte Sinai aceitará qualquer tipo de noiva denominada genericamente cristã e que quase sempre vive alheia aos princípios da Santa Torá, descomprometida com a restauração de Israel e a salvação do povo judeu?

– Ou Será que Yeshua se colocará em jugo desigual com uma igreja gentílica que ignora à responsabilidade de estar ao lado de um noivo judeu, uma vez que esta igreja foi enxertada à “Oliveira”que é o Israel salvo de D’us, alicerçado nas raízes de Abraão, Isaac e Jacó ?

Com certeza Yeshua exigirá de sua noiva as condições mencionadas acima. Ele quer conscientizar sua noiva que Ele como descendente da tribo de Judá tem uma aliança eterna feita no Sinai e, por isso, Ele deseja que sua noiva, enxertada Nele, participe também das bênçãos dadas ao Povo Escolhido.

Por acaso, Yeshua foi um rebelde que anulou a Lei e sua própria cidadania ou quebrou o pacto do Sinai? Por acaso Ele inventou uma “graça”que anulou todos os pilares construídos pelo próprio D’us através dos patriarcas? Não é isto que as Escrituras dizem.

Como era a Igreja que Yeshua aqui deixou?

Como era a Igreja que Yeshua deixou quando no Monte das Oliveiras foi ascendido aos Céus ( Atos 1:11)? Ou seja, qual era o molde desta Igreja? Quais eram suas características e objetivos? Quais eram suas prioridades? Em quem e de que se ocupavam? Quais eram os princípios vividos e promulgados no primeiro século pelos apóstolos e discípulos?

Creio que se nos concentrarmos nestes dois grandes pontos mencionados acima, iremos descobrir e tomar posse de muitas bênçãos ainda desconhecidas pela noiva, a igreja.

Analisando a Igreja do Primeiro Século, chamada de “Messiânica” na língua hebraica ou de “cristã” na língua grega, não possuia outra Escritura além dos livros do chamado Antigo Testamento, ou seja, a Tanach, composta pela Torá, os Niviim ( o livro dos profetas) e os Ketuvim ( os livros bíblicos históricos, ou simplesmente chamados de Escritos). Além destas Escrituras, tinham os próprios ensinamentos orais deixados por Yeshua, e mais tarde as cartas de Paulo, João e outros que foram escritas já após a metade do primeiro século. Portanto, se desejamos conhecer a Igreja do Primeiro Século deixada por Jesus, devemos dar um “break” na história, esquecer certos conceitos greco-romano incorporados na fé cristã e revisar urgentemente as diversas doutrinas deuto-anglo americanas. Lutero, o pai da reforma foi um bom homem e cristão. Mas, cometeu erros fatais em relação ao povo judeu e a religião judaica, quando no leito de sua morte afirmou que os judeus deviam sofrer muito para que toda a humanidade visse seu erro de deicídio, ou seja, ter matado o próprio Cristo-D’us. Os anglicanos e calvinistas, fiéis às certas doutrinas romanas, continuaram anulando a lei em função da graça, além de tomar para si que são o próprio Israel de Deus, uma vez que Este rejeitou seu próprio povo anulando a aliança do Sinai. Os americanos, criadores de tantas doutrinas estranhas à Bíblia, tem enchido o mundo com sua “teologia da prosperidade e da abundância material”. E numa mistura de todo tipo de doutrinas, vai a noiva de Cristo sendo alinhavada e ataviada segundo os princípios de seus líderes. Claro e óbvio que não posso dizer que tudo aprendido e pregado até agora nas igrejas e nas diversas denominações estejam completamente fora dos propósitos divinos. Obviamente que não e D’us tem operado maravilhas no meio delas em amor aos salvos, seus filhos herdeiros das promessas. Mas, isto não invalida continuar nossa luta a favor de uma Igreja pura e santa, justa e boa e tão pouco, podemos afirmar que este tipo de Igreja que hoje vivemos está 100% no padrão desejado por Cristo. Então, se assim constatamos tais fatos, urge que voltemos para a Bíblia e examinemos aonde temos falhado e o que necessitamos restaurar. Creio, pessoalmente, que se quisermos chegar ao cerne dos princípios bíblicos e judaicos vividos por Yeshua e seus discípulos, devemos conhecer mais sobre o judaísmo que eles viviam. Pois do contrário, corremos mais riscos sofismando coisas certas sobre bases erradas.

Então, com base nestes dois pontos:

– Ver Jesus como um noivo judeu zeloso, estudioso e cumpridor da Torá e conhecer os princípios por Ele ensinados e,

– descobrir as características da Igreja do Primeiro Século, vividos e proclamados pelos apóstolos, estaremos tomando uma direção segura na nossa caminhada à nossa participação das Bodas do Cordeiro e posteriormente no reinado de Yeshua.

Se humildemente, tirarmos uma “fotografia espiritual”do Corpo de Cristo”representado por mais de 4500 denominações cristãs, encontraremos nelas as características do primeiro século? Ou será que elas estão cada vez mais distantes de suas raízes, alheias ao noivo judeu que chega, alheias às profecias que precisam acontecer em relação ao adormecido povo judeu para que o Messias volte? E quanto ao conflitante Estado de Israel que precisa ser restaurado juntamente com seu povo? Mas, que tipo de restauração deveria passar o povo judeu? Será que Messias volta só quando este povo chamado judeu receber um “Espírito Novo” ou um “Coração Novo” conforme dito pelo profeta Ezequiel( Ez36:26)? Quando as escamas dos olhos dos judeus cairão ( Rm 11:8) para que eles creiam e entendam as duas vindas do Messias Yeshua? As Escrituras dizem que na primeira vinda Yeshua veio como como Filho do Homem (Ben Yosef, chamado também de filho de José) que morreu e se fez pecado por nós e ressuscitou para que todo que agora Nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna ( Jo 3:16). Porém, na sua segunda vinda como Rei dos reis virá em glória como Ben David ( Filho de David) para julgar as nações e reinar sobre elas com sua Igreja( Mt 24:30). Como queremos que os judeus entendam estas duas vindas de Yeshua, se tal fato ainda não é claro e entendido por muitos do Corpo de Cristo?

Sabemos que D’us está no controle de todas as coisas, mas não será que Ele, o Eterno, Todo-Poderoso, não está ansioso aguardando que a noiva dê seu primeiro passo a caminho da restauração de suas raízes bíblicas explícitas na Santa Torá? Será que a chamada graça anulou todos os princípios bíblicos da lei no que tange à qualidade de vida, a fé e ao cumprimento profético em relação a Israel e a seu povo?

Será que D’us não está esperando que a Igreja elimine este abismo criado pelo próprio Satan através dos homens que separa a Igreja de Israel e do povo judeu? Será contra quem as portas do inferno não pode prevalecer? (Mt 11:18)? Ora será tão difícil entender a estratégia do inimigo que age no seio da igreja, Impedindo que esta restaure suas raízes bíblicas e judaicas, criando anti-semitismo e um distanciamento nocivo? Separando Israel de quem tem autoridade para salva-lo, a Igreja de Jesus?

Não nos cabe aqui estabelecer qual é a igreja certa que mais se aproxima daquela que Yeshua deixou e que com certeza virá busca-la. Não se trata aqui também de estabelecer julgamentos às milhares de denominações cristãs, onde cada uma tem imposto aquilo que julga estar certo? O que importa aqui de fato e de direito é se conhecemos as exigências deste noivo judeu chamado Yeshua que disse em João 7:38 – “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Nunca existirá um coração novo, se este não for puro. A água viva é para lavar os crentes, ou melhor, a noiva, a começar pela a classe sacerdotal, segundo o livro de Levítico(Lev 16:11-14). A Igreja de hoje precisa tomar um bom “banho” antes de subir para o altar e desposar com seu noivo. Somente numa água viva é que pode banhar-se, tirando todo o paganismo, toda a sujeira que os líderes cristãos trouxeram para dentro dela, todo ódio e inimizade ao povo judeu, o qual espera ajuda da noiva gentia enxertada (através de Cristo) na Oliveira (Israel) que deveria estar trazendo ao velho e sofrido povo uma seiva nova (as boas novas de Yeshua) a eles que, por determinação divina, tiveram seus olhos e ouvidos espirituais fechados à salvação até que a Igreja gentílica entre em sua plenitude de fé, alcançando a estatura mínima que o próprio noivo exige, Yeshua, a similaridade e identificação com o seu santo caráter, determinação e ação. Isto produzirá, um grande avivamento, na minha opinião, maravilhas, milagres acontecidos abundantemente no primeiro século virão novamente a acontecer. Mortos serão ressuscitado, o amor, a tolerância e unidade entre os verdadeiros irmãos serão tão fortes que ninguém resistirá ao poder concedido à Igreja, contra quem as portas do inferno não prevalecem. ( Mt 16:18) .A água viva é a Palavra que está em nosso coração.

Em Efésios, Paulo diz que ela é nova, principal característica dessa Igreja. A igreja só se tornará “nova” se restaurar as raízes de sua própria fé. A fé verdadeira é a fé na qual a igreja foi fundamentada. Tudo o que entrou no nosso meio ao longo do curso da existência da igreja deve ser revisto e confrontado com o fundamento da fé verdadeira. E nós sabemos que as raízes da fé cristã não são romanas, chinesas ou americanas mas suas raízes se baseiam na fé judaica. Yeshua como um noivo judeu não pode se colocar em jugo desigual com uma noiva pagã. Mesmo sendo gentia sua noiva tem de estar enxertada na oliveira que é Israel (Rm 11) e se alimentar da seiva de seu fundamento que são os apóstolos e os profetas (todos eles vieram a partir da fé de Abraão).

Essa noiva, então, tem de ser uma noiva separada; uma noiva que não tem nenhuma influência, nenhum apego, nenhum compromisso com esse sistema maligno.

Em I Jo 1:15 b lemos “Se alguém amar o mundo, o amor de pai não está nele.” Reconhecemos que vivemos num sistema que é regido pelas trevas, estamos no deserto mas não fazemos parte desse sistema, não somos um com ele. Mas nós somos luz, somos embaixadores do reino de D’us, que começa dentro de nós. Essa igreja se tornará nova à medida que restaurar as raízes bíblicas e judaicas de sua fé.

Estamos debaixo da graça ou debaixo da lei?

Um dos pontos principais que focalizaremos hoje se refere a um conceito existente na igreja há centenas de anos. Foi um conceito mal interpretado por Roma, a igreja recebe sem olhá-lo à luz da raiz de nossa fé: “Estamos debaixo da graça e não debaixo da lei (Rm6:14). O conceito que Paulo aqui se refere, como judeu zeloso e cumpridor da lei, não é que a graça de salvo anulou a lei, mas sim que aquele que teve o novo nascimento em Cristo, ou seja, a natureza do pecado que habitava em nós deu lugar ao Espírito de Deus, não estando mais sob o jugo da lei de pecado. Uma coisa é entender o legalismo da lei a outra é viver sob os princípios da lei. Se este versículo continua sendo entendido erroneamente pelos cristãos, então, é melhor que estes cristãos risquem todas as cartas de Paulo de suas Bíblias, pois, o apóstolo não se cansa de dizer que como salvo ele tem prazer na lei (Rm 7:12;22); Como salvo devemos ter prazer na lei que boa , justa e santa. Agora, um judeu não messiânico ou qualquer pessoa fora da graça salvadora que só guarda a lei, ou parte da lei, não está cumprindo o pleno propósito de D’us. Frases como “não temos nenhum compromisso com a lei, Cristo nos resgatou dessa maldição. A lei é para judeus e a graça de D’us me basta. A igreja substituiu Israel”, irão cada dia mais afastar a Igreja do verdadeiro propósito, distanciando-a ainda mais de suas raízes bíblicas e judaicas..

Em II Tm 3: 16,17 lemos: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça…”. Ora, que Escritura é esta a que Paulo se refere? Não existia ainda o que se chama de Novo Testamento.

“Toda Escritura” que havia era a Torá, os profetas e os santos Escritos o que se convencionou chamar de Antigo Testamento. Cremos ser esta uma classificação errônea, pois não há promessas antigas. Tendo o que D’us inspirou é verdadeiro e fiel e válido para hoje. Tendo é a palavra de D’us, atual, e não antigo e novo. E afirmamos ainda mais: ‘A graça (de D’us) sem a lei (Torá) ficaria sem graça’.

Qual seria a maior graça de D’us? A maior graça é crer em Yeshua como filho de D’us, ser salvo e alcançar a vida eterna. Mas o fato de ser salvo pela fé no sangue de Yeshua que me purifica de todos o meu pecados não torna a lei inválida. Se eu nego a lei, estou negando o pecado. Não é a transgressão da lei pecado? Se eu nego o pecado eu nego a morte e como conseqüência a necessidade da morte de Yeshua que traz vida, e vida em abundância. O próprio Yeshua disse em Mt. 5:17 – “ não pensais que vim revogar a lei ou os profetas, não vim para revogar, vim para cumprir”. Se ele tivesse anulado a lei estaria negando a si mesmo.

Quem pode afirmar que a graça foi inventada na igreja primitiva, estando presente apenas no Novo Testamento? Não é a criação do homem a manifestação da graça de D’us? O cuidado na preparação de um lugar para colocar o homem, criar o sol, as estrelas, os astros para enfeitar a sua noite, não seria a manifestação de sua graça? Quando o homem caiu em Gn.2:15 vemos a manifestação da graça de D’us ao prover, ainda no jardim, a promessa da vitória sobre o mal, através de Yeshua, tudo o que D’us fez foi pela sua graça.

Observamos a natureza em seus mínimos detalhes – as plantas com seus tons variados, o ciclo da natureza, o mover dos astros em suas definidas órbitas – tudo isso não seria a manifestação da graça de D’us? A multiplicação das sementes, os frutos não são todos resultantes da graça de D’us? Quando D’us coloca o homem no jardim e cria para o homem o trabalho (o cultivo do jardim) não é essa manifestação da graça de D’us? Isso é muito bonito!

É interessante ver no hebraico a palavra usada para designar o trabalho. A palavra “abad” significa trabalhar louvando a D’us. Observe que é uma forma agradável de produzir, louvando a D’us. Mas a palavra “ebed” , de grafia semelhante, significa trabalhar sob pressão, trabalho escravo.

É maravilhoso ver o que D’us preparou para o homem. D’us queria o homem produzindo como uma maneira de adorá-lo.

A graça de D’us sempre atuou em toda a história do povo judeu. Não foi a graça de D’us que livrou os hebreus das pragas do Egito? Quem teria aberto o mar Vermelho se não a graça de D’us? Quem teria feito um simples pastor (Davi) derrotar um gigante temido por todos? No livro de Salmos vemos em várias passagens o salmista reconhecendo a multi-graça de D’us sobre sua vida e de seu povo(Sl. 90:17).

Só se entendemos a graça de D’us derramada no Antigo Testamento podemos entender At. 15:11 – “Mas cremos que fomos salvos pela graça de D’us…”. Qual graça? A mesma presente desde a criação do homem. A graça de D’us enviou seu filho Yeshua, para morrer como pecador, para pagar todos os nossos débitos. Todo aquele que peca é devedor, seu fim é a morte. Mas pela graça de D’us meus débitos, por falhar em cumprir sua lei, são quitados por Yeshua. Isto não significa que a lei não é mais válida. Toda a graça de D’us converge para a pessoa de Yeshua.

Rm. 3:23,24 – “Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de D’us, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”.

A palavra glória no hebraico é “Kevod” – e que significa peso. O peso de D’us é Ele, mesmo, sua essência. Então o pecado tira de mim a essência de D’us, e me coloca “pesado de mim mesmo”. Para desfrutar da glória de D’us tenho que despir de minha própria glória. A minha glória, o meu eu, tem de ser colocado no “misbeah” – altar, que é lugar de morte da natureza adâmica. No altar de sacrifício é que posso despojar do velho homem e encher-me de D’us. Só ai então vou ser cheio da glória de D’us, do conhecimento de D’us, com a capacidade d’Ele, com o direcionamento dado por Ele e sobretudo com seu perdão.

Agora podemos ver algo maravilhoso – apesar de ter sido salvo pela maior graça, que foi o sacrifício de Yeshua, precisamos da lei para nos conduzir, capacitar, orientar, nos ensinar, nos adestrar, nos corrigir. Por quê? Porque Ele é a lei que fala do pecado.

Imaginemos que agora o governo quer dar a graça aos adultos brasileiros de todos possuírem a carteira de habilitação. O fato de possuir a carteira não isenta ninguém de observar as leis de trânsito. Da mesma forma uma vez remido pelo sangue de Yeshua e não podemos simplesmente esquecer toda a lei. Ao contrário, a redenção em Yeshua traz a cada um de nós maior peso de responsabilidade. Só valorizamos a graça se conhecemos a lei. Na lei de Moisés era pecado o adultério (Dt. 5:18). Que diz a graça em Yeshua? – “ Se Olhar para uma mulher com uma intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt. 5:28). O ódio ao irmão é semelhante ao homicídio.

Muitos cristãos dos dias atuais passam por cima de muitos mandamentos de D’us, alegando estar debaixo da graça e não sob o jugo da lei. Mas a lei não foi anulada! A lei são como as placas de trânsito que orientam os motoristas. São sinais de direcionamento e de orientação que nos levam ao nosso destino final. Temos a graça de dirigir, mas a lei nos conduz para não sairmos da estrada e não errarmos o alvo. Há uma única maneira de ser salvo – crer no sacrifício e no sangue de Yeshua. Nada mais que façamos nos reconecta com D’us. Mas a lei existe para nos direcionar em nossa caminhada. Gl. 3:24 diz que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo. O aio é aquele instrui que direciona. Somente entendendo a lei temos o entendimento do que é a graça. Muitos dos chamados “crentes desviados” estão nessa situação porque não deram a devida importância à graça, que só é possível de conhecermos se atentamos à lei, aos mandamentos. A graça disponível em Yeshua não pode ser usada como um passaporte para o pecado. A liberdade em Yeshua é plena da responsabilidade de obedecer aos mandamentos.

No Salmo 19:7 a lemos “ A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”. Entendemos que a lei existe para as áreas não restauradas de nossa alma. O salmista diz: “Agrada-me fazer a tua vontade, o D’us meu; a tua lei está dentro do meu coração.” A vontade de D’us está expressa na sua palavra. A lei de D’us deve servir de direcionamento para nossa vida. A lei é pratica, lida com problemas comuns como: a quem emprestar dinheiro, como indenizar alguém por algum dano causado, como preservar o direito de propriedade, etc. além do mais, citamos o exemplo do dízimo. É uma lei para os judeus? Está no Antigo ou no Novo testamento? E por que a igreja de hoje cobra o dízimo se é uma lei do Antigo Testamento? Por que damos dízimo, se está é uma lei judaica constante no Antigo testamento? É porque dízimo é uma benção, se dou dízimo, reconhecendo que D’us é quem tudo me dá, sou abençoado com a benção da prosperidade. É a lei da semeadura e da colheita. Se dou, recebo muito mais, não é sensato só escolhermos aquilo que nos agrada no Antigo Testamento e anularmos as outras ordenanças e estatutos. Se entendemos o dízimo como benção, porque não observamos também as leis dietéticas de Levítico 11? Se D’us determinou para o bem de nossa saúde. As leis alimentares devem ser vistas como benção e não como peso, uma proibição injusta. Além do mais, está debaixo da graça de Cristo, não faz com que seu metabolismo biológico seja mudado, por exemplo, em baixar os índices de ácido úrico ou de colesterol, triglicérides, etc.?

Paulo diz claramente em sua carta aos Romanos evidentemente para os crentes romanos: …”De modo que a lei é santa, e o mandamento é justo e bom…”( Rm 7:12)

No livro de Provérbios está escrito: “Filho meu, atenta para as minhas palavras, aos meus ensinamentos inclina os ouvidos, não os deixe aparta-se dos teus olhos, guarda-os no mais íntimo do teu coração, porque são vida para quem os acha e saúde, para o corpo”.(Pv 4:20-22). Onde estão os ensinamentos e as palavras ditas no livro de Provérbios? Na lei. A lei nos traz saúde para nosso corpo. Ela nos ensina a controlar, por exemplo, a alimentação para nos dar melhor qualidade de vida, como já dito anteriormente.

Pv. 28:7 diz: “O que guarda a lei é filho prudente, mas o companheiro de libertinos (comilões) envergonha a seu pai.” É falta de sabedoria comer de modo desenfreado. Pv. 29:18b : “ o que guarda a lei é bem aventurado”. Se sigo o que D’us ordena sou muito mais que feliz e preservo ainda mais a graça de crer em Yeshua.

Tudo isto com um objetivo claro: tornar o homem perfeito e perfeitamente capacitado para toda boa obra. Esse é o padrão de D’us para nossas vidas.

Pv. 28:9 diz: “o que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até sua oração será abominável”. O atender à palavra de D’us me faz apto a ter oração respondidas.

Percebemos pelo curso dos acontecimentos que a igreja de Yeshua, espalhada pelas diversas denominações, deve voltar para o estudo da Torá que quer dizer instrução, ensino da Palavra, da Lei de D’us.

Evidentemente, dispensamos comentários quanto às leis sacrificiais que o próprio Yeshua cumpriu morrendo na cruz como sacrifício vivo por nós, e também de certas leis circunstanciais ou específicas que valeram somente para aquela época de travessia no deserto, como por exemplo certas regras quanto à higiene, alimentos perecíveis, etc. Mas, as leis morais, éticas, familiares e de qualidade de vida, por exemplo, estão mais do que vivas e válidas para os dias de hoje.

Mais uma vez vamos frisar: a lei não salva, a salvação é pela graça, mas a lei me capacita a viver no padrão de D’us, mostrando a todos os limites e delimitações até onde podemos chegar dentro da justiça e misericórdia de D’us.

Oremos para que a igreja espalhada por toda a terra reconheça a verdadeira graça de D’us em Yeshua, e se apaixone cada vez mais por um noivo que viveu e amava a Torá, a Lei de seu Pai. Aliás, Ele se fez a própria lei, se encarnando na forma de homem…”e o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”( Jo 1:14). Mas, agora o noivo quer voltar e buscar sua noiva. Ele nunca esteve apaixonado por uma denominação ou religião cristã, mas Ele sempre esteve apaixonado pela sua noiva, vejamos o que diz as Escrituras:

“Fala o meu amado e me diz: – Levanta-te amada minha, formosa minha e vem…”(Ct 2:10)

Autor:

Líder e fundador do Ministério Ensinando de Sião-Brasil e da Congregação Judaico-Messiânica Har Tzion - Belo Horizonte - MG. www.ensinandodesiao.org.br – www.tvsiao.com – www.ccjm.org.br

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